Estou em uma sala de concertos pequena, cercado de amigos e outros que não conheço. Eles me levam para ver um instrumento medieval. É quase uma pequena mesa, de madeira marrom-avermelhado, lindamente trabalhado. No tampo porém o instrumento está preservado por um vidro protetor. Fico impressionado a ver que segue um simbolismo muito bem estruturado: para cada nota musical associa-se na madeira o desenho de um planeta e outros símbolos. Meus colegas perguntam se eu conheço, e digo que sim. Realmente lembra um instrumento que via na SBPC de 1985 (Belo Horizonte) chamado planetário, feito e tocado pelo grupo UAKTI. Dou-me conta disso e comento o fato com os presentes, mas ninguém parece conhecer. Pedem-me para tocá-lo. Retiro-o do tampo, enquanto todos vão para a platéia. A sonoridade do instrumento é muito baixa e o som que produz é estranho. Ele é tocado com um pequeno livreto que, com suas “costas”, arranha as cordas e produz o som. Toco qualquer coisa e logo paro. Todos aplaudem mas ficam frustrados por não terem escutado. Logo, sobem de novo ao palco e eu surgiro ficarem ali e eu tocarei de novo. Transladam-me para a outra extremidade do palco. O instrumento sai dos pés e coloco-o de pé, em cima de uma mesa. Tento tocá-lo com outro livrinho, mas não sai som. Quando olho no tampo do lado direito, vejo que ali se encontra-se sem sistema de afinação. Estico as cordas e, quando toco o livro, produz-se um som cheio e vibrante. Fico empolgado e começo a tocar rapidamente, fazendo as notas vibrarem muito, com toques repetidos muito rápidos. O livrinho em minha mão fica tão leve que “se transforma” num pedaço de algodão. A música flui. É puramente inspirada e o som lembra órgão de igreja. É linda e termino de modo magistral. (Antes de começar, porém, estaciona-se um carro em cima do palco, vindo do outro lado, que traz mais gente para ver). Alguns se emocionam e todos (inclusive eu!) gostam muito.
Uma colega da universidade chamada Terezinha vem e pergunta-me que peça é aquela. Uma peça que eu sabia tocar no violão (enquanto que, na realidade, era puramente inspirativa). Ela me pergunta então quando eu iria tocar essa peça para eles. Me confundo todo, perguntando: aonde? No violão ou no instrumento medieval? (que eu achei que chamava lunário) se eu já tinha tocado ou não?
Desperto.