Sonho da manhã de 19 de abril de 1986 (depois de fazer yoga)

Estou em uma sala de concertos pequena, cercado de amigos e outros que não conheço. Eles me levam para ver um instrumento medieval. É quase uma pequena mesa, de madeira marrom-avermelhado, lindamente trabalhado. No tampo porém o instrumento está preservado por um vidro protetor. Fico impressionado a ver que segue um simbolismo muito bem estruturado: para cada nota musical associa-se na madeira o desenho de um planeta e outros símbolos. Meus colegas perguntam se eu conheço, e digo que sim. Realmente lembra um instrumento que via na SBPC de 1985 (Belo Horizonte) chamado planetário, feito e tocado pelo grupo UAKTI. Dou-me conta disso e comento o fato com os presentes, mas ninguém parece conhecer. Pedem-me para tocá-lo. Retiro-o do tampo, enquanto todos vão para a platéia. A sonoridade do instrumento é muito baixa e o som que produz é estranho. Ele é tocado com um pequeno livreto que, com suas “costas”, arranha as cordas e produz o som. Toco qualquer coisa e logo paro. Todos aplaudem mas ficam frustrados por não terem escutado. Logo, sobem de novo ao palco e eu surgiro ficarem ali e eu tocarei de novo. Transladam-me para a outra extremidade do palco. O instrumento sai dos pés e coloco-o de pé, em cima de uma mesa. Tento tocá-lo com outro livrinho, mas não sai som. Quando olho no tampo do lado direito, vejo que ali se encontra-se sem sistema de afinação. Estico as cordas e, quando toco o livro, produz-se um som cheio e vibrante. Fico empolgado e começo a tocar rapidamente, fazendo as notas vibrarem muito, com toques repetidos muito rápidos. O livrinho em minha mão fica tão leve que “se transforma” num pedaço de algodão. A música flui. É puramente inspirada e o som lembra órgão de igreja. É linda e termino de modo magistral. (Antes de começar, porém, estaciona-se um carro em cima do palco, vindo do outro lado, que traz mais gente para ver). Alguns se emocionam e todos (inclusive eu!) gostam muito.

Uma colega da universidade chamada Terezinha vem e pergunta-me que peça é aquela. Uma peça que eu sabia tocar no violão (enquanto que, na realidade, era puramente inspirativa). Ela me pergunta então quando eu iria tocar essa peça para eles. Me confundo todo, perguntando: aonde? No violão ou no instrumento medieval? (que eu achei que chamava lunário) se eu já tinha tocado ou não?

Desperto.

Sonho de 19 de agosto de 2005

Estou em uma fazenda, não sei aonde, quando está ocorrendo uma apresentação do trabalho que desenvolvi com meu supervisor de pós-doutorado. Ele [meu supervisor] está apresentando, a um público bem restrito. No final, às perguntas, percebo que meu supervisor, seu colaborador e um dos pesquisadores do grupo de meu supervisor estão meio cansados, e meu supervisor me pergunta:

– Quanto tempo de sua vida você investe na produção de um trabalho [artigo ou apresentação]?

Eu respondo que não sei, mas que talvez em torno de 30%. Digo à ele que não considero trabalho a coisa mais importante de minha vida. Eles ficam muito contentes de ouvir aquilo, se abraçam e levantam-se para jogar cricket. Eles se divertem bastante, apesar de o lugar estar coberto e relativamente escuro. Eles jogam e se divertem.

Em seguida estou na praia, em um local em frente à casa de meu amigo Marcio, de Campinas. Estamos eu, minha mulher e meu filho. O Marcio saiu, e só estamos nós. Poré, no muro da casa do Marcio está uma vitrola, e estou interessado em escutar música. Coloco um disco (não sei qual) e escuto, e em seguida um disco com o quinteto para cordas e violão de Boccherini [em mi menor, G. 451]. A música me soa alto, e desligo rápido. Não tenho autorização para usar o aparelho de toca discos, e uso a chave da casa do Marcio sem o consentimento dele. Fico muito incomodado com isso, e coloco a chave no lugar em que peguei, sob o olhar de uma vizinha. Digo à ela que achei a chave na calçada. Ela não me diz nada, apenas fica olhando. Em seguida, pergunto aonde tem um banheiro que eu possa usar. Ela me aponta o mar, e digo:

– É claro!

Pego meu filho e vou entrar na água.

Desperto com vontade de fazer xixi.