Estou andando na rua, numa tarde tranquila, perto da esquina da av. Brasil com a Orozimbo Maia. Andando, vejo pessoas louras e ruivas, todas vestidas de camisolas e são na sua maioria (ou totalidade!) mulheres. Algumas têm atitudes bastante estranhas, de permanecer em determinada posição durante muito tempo, ou então falar coisas sem nexo, segurar bandeirolas e agitá-las sem motivo. Junto com elas estão outros que ficam observando-nas. Estes “outros” vestem-se comumente e são homens e mulheres. Uma delas (sinto ser uma japonesa) convida-me a visitar o hospital psiquátrico Bierrenbach de Castro que fica ali perto. Fico assustado mas ao mesmo tempo muito curioso para visitar o lugar. Deixo que minha anima me conduza e entro numa casa bonita, muito espaçosa. Ali há “loucos” de todas as espécies. Junto comigo vão as outras pessoas que estavam fora e os loucos de camisola também. Quando entro no refeitório, um cheiro muito gostoso me desperta o apetite. Os doentes estão jantando e comem um cozido de grão-de-bico (adoro grão-de-bico!). Sento-me um pouco numa cadeira, incitado pela japonesa, que, penso eu, deve ser a diretora do hospital. Dou boa-noite a uma louca que senta-se à frente, numa mesa adiante. Mas, aparentemente me olha mas não me compreende. A mim, no entanto, parecem ser todos normais.

Andando mais, vejo alguns doentes em quartos, mas nenhum deles é violento ou faz muitas loucuras. Todos me parecem ser “loucos equilibrados”. Por fim, chego em uma ampla sala onde há muitas cadeiras e penso ser uma sala de conferências ou reuniões. Um rapaz, à medida que vou entrando na sala, conta-me que o hospital foi construído por um sargento (ou brigadeiro) da aeronáutica que largou a carreira militar e foi dedicar-se ele e sua família à cuidar dos loucos. Vejo uma foto de um homem de trinta e poucos anos na frente de um avião no estilo da 2ª Guerra Mundial, com sua família ao seu redor (mulher e filho pequeno) e, na sua frente, uma taça, uma garrafa de champagne e outros prêmios. Ali, na sala, estão os prêmios, mas noto não serem os mesmos, pois, na foto, a champagne é francesa, e, ali na sala a garrafa é de champagne brasileira. E as taças também são diferentes. Comento o fato com o rapaz que está me explicando e damos boas risadas sobre isto. Eu penso [?] que o brigadeiro se dispôs de suas verdadeiras condecorações para cuidar dos loucos.


