Sonho da madrugada de 24.3.86

Estou vindo do bosque dos Jequitibás [Campinas] e atravesso a [avenida] Moraes Salles. Durante a travessia vejo a Regina que trabalha no laboratório. Apesar de ser de noite, ela está com seu avental cor-de-rosa e com seu andar habitual, que me chama a atenção. Logo quando atravesso, vejo, na janela de uma casa, a Kika e o Zeca, dois colegas maus muito antigos. Aceno para eles e, logo em seguida, estou de patins (só no pé esquerdo), descendo a avenida. Como esta é muito íngreme, sou obrigado a brecar com o pé direito. Mesmo assim choco-me com uma veraneio [modelo de carro]. Dentro estão o Caio, a Kika e o Zeca, que olham para trás para ver se aconteceu algo. Estão assustados como eu trombei aparando-me com o atebraço esquerdo, não aconteceu nada. Vou para a calçada e deslizo com o pé direito, sem patins, até a porta de uma livraria de livros esotéricos.

Lá dentro dou uma vislumbrada em alguns livros. Não encontro nada de especial. Logo chega um grupo de garotas. Uma, dentre elas, me chama a atenção. Vejo que ela “comanda” o grupo. Noto que, todos os livros de alquimia têm a mesma estrutura, tal qual o I Ching. São figuras repetitivas, de manipulação. O que varia são as várias edições, mas o conteúdo e a estrutura dos livros é a mesma. Por isso, me decepciono. Noto que a garota está mostrando um livro para as outras. É um livro que escreveu. E diz que um dia irá escrever um livro sobre suas aventuras. Olho-a fixamente nos olhos e ela ri. Todas se voltam para mim, e algumas riem. No entanto não me sinto constrangido. Comporto-me com indiferença. Há uma bancada no chão, com um pilar no centro. À sua volta, vários livros. Vejo um livro de Alquimia que parece ser interessante. Ele está apoiado na estatueta de um homenzinho. Como está bem no meio da bancada, defronte à vitrine, é difícil pegá-lo. Quando o pego, a estatueta cai. Algumas das garotas observam e riem de mim. Nesse instante sim, fico constrangido, por ser tão desajeitado. O livro é uma pasta de elástico. Dentro há várias cartolinas com figuras alquímicas para recortar e depois se manipular. “É como os outros”, penso. Coloco-o apoiado no prato do pilar. Para colocá-lo ali, tenho que apoiar-me num livro que está “de pé”: os Irmãos Karamazovi, de Dostoiévsky. É uma edição encadernada, de capa vermelha, da Abril Cultural. Depois de arrumado, olho para as estantes nas paredes, que vão até o teto. Num primeiro instante, vejo o título “Budismo”. Em seguida não há mais livros nas estantes e sim jardins em miniatura. Há um particularmente maravilhoso. Fico admirado com o trabalho, minuncioso. Vou olhando as estantes, e, além dos jardins miniaturizados, há também abóboras e batatas enormes. Lembram-me batatas doce. E, por fim, perto da ampla porta, estão gaiolas com pássaros e hamsters e cobaias. Os pássaros não cantam, mas são todos gorduchinhos e marrons. Ali têm várias pessoas comprando-os. Pegam-nos e ficam acariciando-os. No balcão há um que um pai compra para seu filho. O garoto diz:

– Podemos por um nome nele, né pai?

– Não, ele já tem nome, responde o pai.

Desperto.

Sonho da noite de 5 a 6 de fevereiro de 1986

Estou viajando com alguns amigos meus, de carro, os quais eu não consigo distinguir. Estamos em Ouro Preto e a cidade está em efervecência, pois, além de ser dia de formatura, muitas garotas irão casar-se. Dentre estas estão algumas colegas do curso de letras. A Ana Maria, a Tammy, a Mariza e a Renata e outras. Passando de carro a primeira que vejo é a Ana Maria, já vestida de noiva. Cumprimento-a, desejando felicidades e ela me convida para a festa, dizendo que irá se servir pizza e refrigerante. Andando mais um pouco, chegamos todos ao local da festa. As mesas foram colocadas nas ruas, formando uma cruz.

Do portão dos fundos saem os garçons servindo as pizzas, enquanto que os convidados sentam-se em volta da mesa. Cada pessoa recebe uma pizza brotinho e um refrigerante. Alguns são servidos. Têm pizzas de muzzarella mas não consigo receber uma.

Em seguida já é noite. Estou numa rua que tem um canal no meio (o que me faz lembrar uma avenida da cidade de Campinas), num ponto de ônibus, esperando, junto com a Tammy, uma das que acabou de casar. Minha impressão é a de que há mais alguém comigo, uma mulher, mas não consigo distinguir. Inicio uma conversa com a Tammy sobre a sua formatura e seu casamento. Ela me diz que se formou em arquitetura, desenho e… (mais uma coisa, que não me lembro). Sobre seu casamento, pergunto como se sente. Ela responde laconicamente, levantando os ombros. Nesse instante passa um sujeito japonês, num carro, e pergunto-lhe as horas; ele diz e, em seguida, manobra o carro e mexe com a Tammy. Fico muito bravo  e, com palavrões, digo-lhe que se meta com a sua vida.  Ele desce, e, também, muito bravo, discute. Percebo que está um pouco bêbado. . Torna a entrar no carro, com uma lata de cerveja na mão, e, ainda discutindo, pega um revólver e dá 4 tiros em cima de mim. A impressão é que fui atingido, mas sei que ele não me acertou nenhum tiro. Corro e pulo em cima dele, agarrando-o. Seu revolver travou e seguro-o apontando diante de seu rosto. Ele dá dois tiros, sendo que o 2º o atravessa pela boca. Ele próprio atirou.

Em seguida estamos todos no ônibus. O motorista é um sujeito esquisito, meio japonês meio mulato, e o japonês também encontra-se no ônibus. Este entra em uma ponte, andando muito rápido. O ônibus derrapa e passa pela murada da ponte, caindo sobre o canal, que é de concreto muito limpo, com pouca água, mais parecendo uma piscina. Durante a queda, que é em câmara lenta, saio pela porta de trás e, à medida que o ônius cai, vou contornando-o por fora, segurando na sua estrutura, de tal forma que, quando a queda termina, estou ileso, de pé. A Tammy já não é a Tammy, e sim a Mariza. Também está sem um ferimento, bem como o motorista. O único que morreu foi o japonês bêbado.

Todos 3 juntos, vamos embora. Desperto.