Estou na casa de minha avó, em São Paulo, onde vai haver um jantar. A luz é uma penumbra muito aconchegante. O arranjo dos móveis é diferente e o ambiente é muito gostoso. Lá estão minha avó, minhas duas irmãs, minha mãe, meu padrinho e um amigo dele (?) que eu não conheço. Cumprimento o meu padrinho depois dele me dizer que experimentou café com […] (uma bebida alcoólica do tipo licor, que vai muito bem com café). Eu pergunto se ele gostou, e ele diz que sim. A satisfação é mútua e nossa proximidade é grande. Dou-lhe um beijo com muita satisfação. Fico ali, sentado, e, quando minha mãe entra na cozinha para pegar uma salada de maionese, pergunto a ela:
– Qual o intuito deste jantar?
E ela responde:
– Pensei que você tinha abolido este sua maneira formal de se comportar!
Fico surpreso e com tanta raiva que dou-lhe um tapa, de leve, mas suficientemente forte, no braço, o que faz que a salada caia por sobre a mesa e o chão. Ela nem se perturba, nem olha para mim e só se preocupa em recolher a salada, que nem se desmanchou: manteve-se intacta. Minha raiva é incomensurável. Vou ao banheiro e lá cerro os dentes gritando “por dentro”, sento em cima da tampa da privada e dou murros na parede. Coloco uma toalha entre os dentes a fim de gritar e não fazer barulho. Minha raiva é enorme e descarrego-a toda, ali mesmo, só comigo, dando “gritos silenciosos” e murros na parede. Desperto.