Sonho da noite de 4/5 de fevereiro de 1986

Estou na Unicamp, na Faculdade de Engenharia de Alimentos procurando a Rose. Quando estou descendo a escada que levam aos laboratórios de análise de alimentos, vislumbro o seu rosto por detrás da porta do laboratório onde trabalha. Torno a subir a escada e, entrando, no hall que precede o laboratório, vejo-a lá dentro, no laboratório, onde é tudo branco (ou azul-claro). Ela me vê e sinto-a constrangida. Ela sai e se apóia no batente da porta. Minha sensação é de que ela não gostou-me de ver ali. Está com um vestido estampado azul, muito bonito, que combina com a cor de seus olhos. Ela me pergunta:

– Fico muito diferente quando estou no campus?

Não respondo. A impressão que me dá é de que está grávida. Continua a falar.

– Escute, eu quero me tornar independente, agir sozinha. Agora já estou casada (quase não percebo quando fala isto). Não quero me tornar dependente e não preciso da ajuda de ninguém!

Seu tom não é insultante. Mas é brusco (repentino) e firme. Fico chocado com o que diz. Na sala ao lado, um grupo de garotas estão a escutar uma entrevista que um rapaz fez a uma menina. Sento-me do lado de uma grande amiga minha, e a vontade que tenho é de chorar. Mas sei que estou “forçando”. Lágrimas chegam aos olhos mas são “lágrimas de crocodilo”. Fico ali, a escutar o início da gravação, que são só tentativas, testes, e o barulho se repete, da fala com uma música ao fundo, de maneira monótona. Quando começa, a sensação que me dá é que a diferença dos barulhos à entrevista é pouca. Desperto.

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