Sonho da madrugada do dia de 23/1 (de 1986)

A MEU VER MUITO SIGNIFICATIVO

Estou na Unicamp. Encontro com a Rose na biblioteca da Engenharia de Alimentos. Depois de conversarmos um pouco, acaricio seus braços com ternura, num carinho retilíneo (exatamente isto: a sensação, ou idéia, é que eu passo minha mão sobre os seu braço como que numa linha reta). Ela permanece ali, a olhar-me, com seus olhos muito azuis, seu sorrir, sem se envolver. A sensação que me dá é de aceitação, porém. Ficamos ali, sem nos falar, olhando um para o outro. Finalmente ela fala:

– É interessante como tudo isto aconteceu tão depressa. Eu gostaria de saber onde tudo isto vai chegar.

Não respondo. Simplesmente ali permaneço, a admirá-la. Depois de certo tempo, levatamo-nos para ir embora. Ao atravessar o páteo do estacionamento, distanciamo-nos e ela me pergunta, de longe:

– O que você pretende com tudo isso?

– Rose, eu só quero te conhecer e te curtir muito, respondo de longe.

Ela abana a cabeça lenta e veementemente, num sinal de negação. De longe (cerca de 50 – 70 m) eu observo chegar um grande amigo meu (que não sei quem é). E ele se dirige à ela. Os dois têm uma breve discussão (que não me lembro os termos, ou não ouço, por estar longe), e não gosto nem um pouco de que isto tenha acontecido. Logo após, entretanto, ela, de carro, me pega e eu sento atrás, sentando meu amigo na frente. No caminho para a cidade os dois parecem conversar, mas não reparo; e sim fico admirado com a beleza do caminho: a parte significativa é de terra, e, ao lado da estrada, árvores enormes, muito bonitas, cerceadas de um céu muito azul, com tons de rosa e violeta. É poente, e as nuvens se mesclam numa variedade degradée de tons, indo do azul ao rosa suave, passando pelo azul, violeta e cor de rosa. O espetáculo se passa à minha direita.

Logo, chegamos à cidade. Após rodarmos um pouco, peço para Rose deixar-me na esquina da Orozimbo Maia com a avenida Brasil. Ela sobe a avenida Brasil, saindo da Orozimbo Maia (pois vinhamos nesta) e pára logo depois do posto. Junto com a Rose, vão todos para São Paulo. Me perguntam se eu sei onde fica a praça Sasbarana (será qué é isso?). O nome não é desconhecido. Penso alto, e digo que, inicialmente, será na cidade jardim? Não. Jardim Europa! Sim, é isto! Como chegar lá? Descendo a avenida angélica (que, na verdade, é a rua Augusta) passando o farol da rua Itália, e depois o da rua Suíça, no próximo, da rua Marechal… Um dos rapazes fala que está bem pois, por alí estará um carro cheio de gente esperando-os. Ficam todos satisfeitos. Entretanto, para confirmar, resolvo telefonar para informações de São Paulo. A moça da TELESP me informa que a praça fica no bairro de Taiuiá (ou algo parecido. É um nome indígena, que começa com T), bem longe daonde indico. Pergunto se há alguma referência, como por exemplo, alguma grande avenida que passe perto. Ela me diz que não sabe, mas que é necessário tomar a 13 de março e andar, andar… Fico em dúvida e resolvo telefonar para a minha mãe. Tiro as moedas do bolso e separo, as de dinheiro das fichas telefônicas. São muitas fichas e moedas. Disco e antes de colocar a ficha, minha mãe atende e a ligação não cai. Apesar disso e de saber que a ligação se completou (chego a pensar que não é necessário colocar ficha), coloco 3 fichas e pergunto para ela se ela sabe onde fica a praça. Minha mãe me responde com subterfúgios, com uma voz normal e envolvente. Dá voltas e parece uma serpente a envolver-me. Depois de reclamar a ela e pedir que fale mais alto, ela permanece falando do mesmo modo. Aí então digo que, se ela não quiser falar, para que ela chame meu irmão. Ela vai chamá-lo e demora muito, quando percebo que o telefone emudeceu.

[Antes disso, porém, antes de telefonar, surge um outro amigo meu, o Marcelo, que faz biologia na Unicamp. Lembro-me de, há um tempo atrás, no próprio sonho, termos conversado acerca do seu trabalho e ele ter-me contado do seu livre acesso à uma série de aparelhos. Entre eles, um espectrômetro de infravermelho. Lembro-me de ter dado uma amostra para ele tirar o espectro, mas este ficou com muito má resolução. Ele, então, pediu-me para ficar com o espectro. Surgindo agora, ele me traz o espectro e me mostra. Pintou e desenhou aproveitando as linhas de traçado do espectro, alguns cogumelos “personificados” ou seja, com olhos, boca e expressão. De uma mistura estranha de cores, havia um preto, na extrema esquerda do desenho. Logo, um cogumelo “mulher”, de cor roxa que chorava no desenho. Todos que ali estavam  (a Rose e os colegas e o meu amigo desconhecido) chamaram a atenção para este cogumelo, achando-o muito bonito. Tamém achei-o e, depois de admirar, o Marcelo pega o desenho e vai embora. A esta altura, meu referencial de espaço já é outro. Estamos todos na rua Vicente de Taunay, quase esquina com a Barão de Itapura, em frente ao Instituto Agronômico. Logo que o Marcelo vira a esquina da Barão de Itapura, surge seu irmão, do outro lado da rua. Ele desce, e está vestido de terno branco, camisa colorida, só com um dos ramos da gravata preso (o de baixo), e vem fumando, no estilo dos antigos malandros do Rio de Janeiro. Quando chega à nossa altura, conto-lhe que o Marcelo acabara de passar ali. Ele duvida, e pergunta se é verdade, e confirmo que sim. Sai correndo, jogando o cigarro, que atinge um dos amigos de Rose. Este revida e joga o cigarro no irmão de Marcelo, que vai embora].

Depois de desligar o telefone, olho e, para meu espanto, todos foram embora. Estou só. Um guarda que ali está diz-me que minhas coisas ficaram com o meu vizinho. Que vizinho? Penso eu. O Marcelo ou meu amigo desconhecido? Fico um pouco chateado por ter sido abandonado, e desço a avenida Brasil, em direção à Orozimbo Maia. Quando estou para atravessar esta, em frente ao posto, vejo, dentro de uma ambulância, um senhor de idade, de cabelo grisalho, mas de corpo muito forte e que denota vigor, desmaiado. Ouço a conversa dos que rodeiam a ambulância “em passant”, e “capto” que o homem possivelmente quebrou a perna direita e sofreu uma síncope, estando desmaiado. Desperto.

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