Sonho da madrugada de sexta-feira (início de 1986)

Estou na fazenda de meu avô, em cidade do interior de São Paulo*. Da bicicleta, abaixo da piscina, chego perto do barranco, onde há uma plantação de morangos. Alguns são enormes (do tamanho de melões). Ali, colhendo-os, está uma amiga minha, a Mila (que não vejo há muitos anos). Ela chega junto (ao mesmo tempo) que eu, e, como estou de bicicleta, deito-a e lanço-me a colher também. Logo, enchemos uma caixa de papelão molhado que encontrei por ali com os morangos. São muito doces e fresquíssimos (na vida real, no local, havia uma videira). Quando dou por mim já estamos a encher a 3ª caixa, quando noto que ali está estendida uma mesa de refeições com muita gente sentada. Alguns me perguntam o que fazer com tanto morango. Respondo que somos muitos em casa, e vou levá-los para minha mãe fazer uma torta. Perguntam-me quantos somos. E, após pensar um pouco, respondo:

– 12!

Quando vejo que na mesa há bem entre 30 e 40 pessoas. Entre eles se destaca um rapaz que há muito não vejo. É de tez morena, de bigode e cabelo crespos e castanhos claros, quase sarará. Sua lembrança é vívida, porém não lembro o seu nome. Perguntam-me justamente isto.

– Qual o nome deste rapaz?

– O nome eu não me lembro, respondo, mas sei que era amigo do Julinho, e é de Fortaleza, no Ceará (o que não é mal, na vida real é carioca).

Ele se espanta de minha memória. Faço força para lembrar o seu nome, mas nada. Quando Julinho aparece, ele, por baixo da mesa, vai falar com o Julio, que está do outro lado, e diz o seu nome: Zé Maria.

– Zé Maria! Respondo alto.

Afirmam com a cabeça. Ele sai de baixo da mesa e, dando a volta, vai cumprimentar o Julinho. Quando vejo suas silhuetas de longe, como que numa sombra, o Julio me aparece como um Leão, com uma juba enorme em torno da cabeça. Voltando os dois, comento:

– Mas, você tinha um apelido, não? Lembro que não o conhecia por este nome.

– Sim, meu apelido era pêlo, pois eu tinha um encravado na sola do pé que me incomodava muito, disse, fazendo um gesto que demonstrava o ato de tirar o pelo encravado no pé.

Todos na mesa riram muito.

– Lembro que você estava em Campinas por ocasião da SBPC, comentei.

– Teve SBPC em Campinas? alguém da mesa indagou.

– Sim, respondi, em 1982.

– Não foi em Botucatu? outro perguntou.

– Não foi em Campinas, respondi.

Segue-se um comentário confuso e desperto.

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*Aqui eu fiz uma alteração para preservar a minha privacidade.

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