Sou um monge bastante velho que vive em um mosteiro do Tibet. Vivo num quarto que é todo branco e muito simples. Visto-me de branco e tudo é muito branco. A paisagem pela janela de um quarto é branca e a luminosidade é muito branca. Fico ali, estudando e escrevendo e, no parapeito da janela há um pequeno frasco com o elixir da longa vida, que não tomo. E assim passo os dias ali. Um dia resolvo “experimentar” o elixir da longa vida. Mergulho o meu dedo indicador no líquido, e, quando toco os lábios com ele, alguém tranca a porta. Sei que irei ficar ali, até o fim de meus dias. Todos os dias cumpro o ritual de molhar o dedo e levá-lo à boca, rejuvenecendo instantaneamente. Por fim, quando o líquido acaba, começo a definhar e prestes a morrer, desperto.