Estou na rua em frente de casa, vendo 4 (!) garotos jogando futebol. A movimentação é intensa e tenho muita vontade para jogar também. Porém sei que, para participar do jogo, tenho que arranjar outro companheiro a fim de formar um par e entrar um em cada time. Fico então ali, quieto, observando. A tarde é bela e os garotos divertem-se muito. A bola é pequena, vermelha e de plástico. O menor deles, tem um irmão maior, e sofre muito com este, que é malvado e irritadiço. Em determinado instante, um chute e a bola voa para trás de mim. Quando vou buscar a bola, reparo que na rua há um senhor bem velho, de cabelos grisalhos, com um saco de nozes à sua frente. Ele as quebra e come em silêncio, sem olhar para os lados, quadro que me dá uma sensação de tristeza e melancolia muito grande.
Chuto a bola de volta para os garotos e continuo a observar o jogo. Quando por fim o jogo termina, a bola permanece comigo e fico brincando com ela. Fico jogando-a para o alto e cabeceando-a para que ela “mexa com minha cabeça”. Quando dou um chute, ela bate no muro de uma casa, volta e cai num canteiro de Coroa de Cristo e se fura. Chateado procuro o dono da bola, o garotinho mais novo dos dois irmãos, que não chora, porém está cabisbaixo e não consigo enxergar seu rosto. Digo-lhe que no dia seguinte levarei a bola para consertar (pois é domingo). Desperto.