Sonho da noite 28/2 – 1/3 de 1986

São três imagens.

1ª – Estou nadando em uma represa, com umbeb ê de aproximadamente 1 ano no meu seio, com os braços enlaçados no meu pescoço. Nado de costas, de tal modo que o babê possa apoiar sua cabeça no meu peito. Do meu lado esquerdo alguém (que não distingo) segura um enorme guarda-chuva preto, de tal forma que não consigo ver o céu. Logo chego à margem.

2ª – Na beira da represa, com alguns familiares, contemplo um terreno de árvores muito altas, lembram eucaliptos, mas não o são. Digo à minha família que aquele terreno é sagrado, em especial as árvores.

3º – No hall de um museu, estamos eu, minha avó, minha tia avó e o namorado de minha avó. Eles admiram peças antigas, bonitas, e eu, com indiferença lhes digo que já vi tudo aquilo.

Sonho da noite de 12 de fevereiro de 1986

Estou em um ginásio de esportes treinando volei. É um local estranho, já que a quadra é menor do que a de costume e não existem as linhas características dos 3 metros. Os jogadores treinam cortadas sucessivas e todos erram muito pelo fato da quadra ser menor. Além disso, o espaço é apertado. Ao término da linha da quadra existem, espalhadas ao seu redor, mesas e cadeiras de madeira. Sendo assim, fica difícil jogar, pois, uma bola mais difícil faz com que nós saiamos do espaço demarcado e tropecemos nas mesas e cadeiras. No meu time só existem 3 jogadores: eu, um outro rapaz e uma garota. A técnica é severa e exige. Me esforço ao máximo, pois é o 1º dia de minha presença. Logo, faltando 10 min para terminar o treino, chamam-me ao telefone. Quando vou atender, ouço comentários de que “nem bem começou a treinar, já é chamado ao telefone”. Não faço caso. Quando atendo é a Nídia. Ela pergunta se eu vou demorar e eu digo que não, só falta tomar banho e ir ao restaurante do Severino encontrarmo-nos. Ela diz que se eu demorar não vai poder esperar-me, pois tem um compromisso. Irrito-me com sua intransigência e começamos a discutir. Fazemos uma breve pausa, pelo rancor (cada qual fica do seu lado, sem dizer nada), e ela reinicia o papo dizendo:

– Alô, de onde falam?

– É daqui, com quem quer falar?

– Com o ***.

– É ele quem fala. Quem é?

– A Nídia.

– Oi, tudo bem.

– Oi tudo bom. Estou aqui, no Severino lhe esperando.

– Ótimo. Estou indo. Só vou tomar um banho e logo estarei aí, tá? Tchau… Desligo e desperto.

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***Aqui omiti meu nome, para manter minha privacidade.

Sonho da noite 6/7 de fevereiro de 1986

Estou na casa de minha avó, em São Paulo, onde vai haver um jantar. A luz é uma penumbra muito aconchegante. O arranjo dos móveis é diferente e o ambiente é muito gostoso. Lá estão minha avó, minhas duas irmãs, minha mãe, meu padrinho e um amigo dele (?) que eu não conheço. Cumprimento o meu padrinho depois dele me dizer que experimentou café com […] (uma bebida alcoólica do tipo licor, que vai muito bem com café). Eu pergunto se ele gostou, e ele diz que sim. A satisfação é mútua e nossa proximidade é grande. Dou-lhe um beijo com muita satisfação. Fico ali, sentado, e, quando minha mãe entra na cozinha para pegar uma salada de maionese, pergunto a ela:

– Qual o intuito deste jantar?

E ela responde:

– Pensei que você tinha abolido este sua maneira formal de se comportar!

Fico surpreso e com tanta raiva que dou-lhe um tapa, de leve, mas suficientemente forte, no braço, o que faz que a salada caia por sobre a mesa e o chão. Ela nem se perturba, nem olha para mim e só se preocupa em recolher a salada, que nem se desmanchou: manteve-se intacta. Minha raiva é incomensurável. Vou ao banheiro e lá cerro os dentes gritando “por dentro”, sento em cima da tampa da privada e dou murros na parede. Coloco uma toalha entre os dentes a fim de gritar e não fazer barulho. Minha raiva é enorme e descarrego-a toda, ali mesmo, só comigo, dando “gritos silenciosos” e murros na parede. Desperto.

Sonho da noite de 4/5 de fevereiro de 1986

Estou na Unicamp, na Faculdade de Engenharia de Alimentos procurando a Rose. Quando estou descendo a escada que levam aos laboratórios de análise de alimentos, vislumbro o seu rosto por detrás da porta do laboratório onde trabalha. Torno a subir a escada e, entrando, no hall que precede o laboratório, vejo-a lá dentro, no laboratório, onde é tudo branco (ou azul-claro). Ela me vê e sinto-a constrangida. Ela sai e se apóia no batente da porta. Minha sensação é de que ela não gostou-me de ver ali. Está com um vestido estampado azul, muito bonito, que combina com a cor de seus olhos. Ela me pergunta:

– Fico muito diferente quando estou no campus?

Não respondo. A impressão que me dá é de que está grávida. Continua a falar.

– Escute, eu quero me tornar independente, agir sozinha. Agora já estou casada (quase não percebo quando fala isto). Não quero me tornar dependente e não preciso da ajuda de ninguém!

Seu tom não é insultante. Mas é brusco (repentino) e firme. Fico chocado com o que diz. Na sala ao lado, um grupo de garotas estão a escutar uma entrevista que um rapaz fez a uma menina. Sento-me do lado de uma grande amiga minha, e a vontade que tenho é de chorar. Mas sei que estou “forçando”. Lágrimas chegam aos olhos mas são “lágrimas de crocodilo”. Fico ali, a escutar o início da gravação, que são só tentativas, testes, e o barulho se repete, da fala com uma música ao fundo, de maneira monótona. Quando começa, a sensação que me dá é que a diferença dos barulhos à entrevista é pouca. Desperto.

Sonho da noite de 4 de fevereiro de 1986

Estou em uma chácara. Caminho por uma alameda que margeia a casa e um canteiro de flores. Quando passo defronte à janela da casa, vejo um homem sentado assistindo futebol pela T.V. Pergunto:

– O jogo já começou?

– Já, ele responde. Sei que é o jogo Brasil x Alemanha, um amistoso preparatório para a Copa do Mundo. Entro na sala e começo a assistir. Olhando no vídeo, vejo um jogador forte e corpulento do time da Alemanha que joga fumando um charuto enorme. Acho a cena completamente pitoresca, ao mesmo tempo em que me transmite uma sensação de ser real muito forte. A impressão é de que eu estou no campo. E, realmente, no instante seguinte estou no campo. Jogo no time do Brasil, na defesa. O campo é bastante diferente. Do lado esquerdo da nossa meta há um mini-campo de pólo a cavalo, de proporções muito reduzidas. Nele jogam somente 2 jogadores, um em cada time (normal/te são 4). E, também do lado esquerdo da nossa meta há um canteiro de flores, sem flores, porém.

Quando entro no jogo, a alemanha está atacando e quase marca gol. Na cobrança do tiro-de-meta, ajeito a bola e peço ao goleiro para bater (a cobrança é do lado esquerdo da meta). Ele não consente nem nega. Sai correndo, e fingindo que vai chutar, passa pela bola, enganando 1 jogador da alemanha que estava logo à nossa frente. Chuto e a bola descreve uma curva, indo à esquerda. Um adversário a chuta, e ela vem sair no canteiro que não tem flores.  Nesse instante percebo que a bola é uma nectarina. Vou ao canteiro e, com o pé por baixo, puxo-a violenta/te, fazendo com que ela caia na extrema direita do campo, nos pés de um jogador de nosso time, que é o Sergio. Ele chuta diretamente, sem deixá-la cair, e marca um golaço. O time todo o cumprimenta e a felicidade é geral. Por fim, vou cumprimentá-lo e damo-nos um carinhoso e belo abraço, estando os dois muito contentes. Desperto sorrindo e rindo.

Sonho da madrugada do dia de 23/1 (de 1986)

A MEU VER MUITO SIGNIFICATIVO

Estou na Unicamp. Encontro com a Rose na biblioteca da Engenharia de Alimentos. Depois de conversarmos um pouco, acaricio seus braços com ternura, num carinho retilíneo (exatamente isto: a sensação, ou idéia, é que eu passo minha mão sobre os seu braço como que numa linha reta). Ela permanece ali, a olhar-me, com seus olhos muito azuis, seu sorrir, sem se envolver. A sensação que me dá é de aceitação, porém. Ficamos ali, sem nos falar, olhando um para o outro. Finalmente ela fala:

– É interessante como tudo isto aconteceu tão depressa. Eu gostaria de saber onde tudo isto vai chegar.

Não respondo. Simplesmente ali permaneço, a admirá-la. Depois de certo tempo, levatamo-nos para ir embora. Ao atravessar o páteo do estacionamento, distanciamo-nos e ela me pergunta, de longe:

– O que você pretende com tudo isso?

– Rose, eu só quero te conhecer e te curtir muito, respondo de longe.

Ela abana a cabeça lenta e veementemente, num sinal de negação. De longe (cerca de 50 – 70 m) eu observo chegar um grande amigo meu (que não sei quem é). E ele se dirige à ela. Os dois têm uma breve discussão (que não me lembro os termos, ou não ouço, por estar longe), e não gosto nem um pouco de que isto tenha acontecido. Logo após, entretanto, ela, de carro, me pega e eu sento atrás, sentando meu amigo na frente. No caminho para a cidade os dois parecem conversar, mas não reparo; e sim fico admirado com a beleza do caminho: a parte significativa é de terra, e, ao lado da estrada, árvores enormes, muito bonitas, cerceadas de um céu muito azul, com tons de rosa e violeta. É poente, e as nuvens se mesclam numa variedade degradée de tons, indo do azul ao rosa suave, passando pelo azul, violeta e cor de rosa. O espetáculo se passa à minha direita.

Logo, chegamos à cidade. Após rodarmos um pouco, peço para Rose deixar-me na esquina da Orozimbo Maia com a avenida Brasil. Ela sobe a avenida Brasil, saindo da Orozimbo Maia (pois vinhamos nesta) e pára logo depois do posto. Junto com a Rose, vão todos para São Paulo. Me perguntam se eu sei onde fica a praça Sasbarana (será qué é isso?). O nome não é desconhecido. Penso alto, e digo que, inicialmente, será na cidade jardim? Não. Jardim Europa! Sim, é isto! Como chegar lá? Descendo a avenida angélica (que, na verdade, é a rua Augusta) passando o farol da rua Itália, e depois o da rua Suíça, no próximo, da rua Marechal… Um dos rapazes fala que está bem pois, por alí estará um carro cheio de gente esperando-os. Ficam todos satisfeitos. Entretanto, para confirmar, resolvo telefonar para informações de São Paulo. A moça da TELESP me informa que a praça fica no bairro de Taiuiá (ou algo parecido. É um nome indígena, que começa com T), bem longe daonde indico. Pergunto se há alguma referência, como por exemplo, alguma grande avenida que passe perto. Ela me diz que não sabe, mas que é necessário tomar a 13 de março e andar, andar… Fico em dúvida e resolvo telefonar para a minha mãe. Tiro as moedas do bolso e separo, as de dinheiro das fichas telefônicas. São muitas fichas e moedas. Disco e antes de colocar a ficha, minha mãe atende e a ligação não cai. Apesar disso e de saber que a ligação se completou (chego a pensar que não é necessário colocar ficha), coloco 3 fichas e pergunto para ela se ela sabe onde fica a praça. Minha mãe me responde com subterfúgios, com uma voz normal e envolvente. Dá voltas e parece uma serpente a envolver-me. Depois de reclamar a ela e pedir que fale mais alto, ela permanece falando do mesmo modo. Aí então digo que, se ela não quiser falar, para que ela chame meu irmão. Ela vai chamá-lo e demora muito, quando percebo que o telefone emudeceu.

[Antes disso, porém, antes de telefonar, surge um outro amigo meu, o Marcelo, que faz biologia na Unicamp. Lembro-me de, há um tempo atrás, no próprio sonho, termos conversado acerca do seu trabalho e ele ter-me contado do seu livre acesso à uma série de aparelhos. Entre eles, um espectrômetro de infravermelho. Lembro-me de ter dado uma amostra para ele tirar o espectro, mas este ficou com muito má resolução. Ele, então, pediu-me para ficar com o espectro. Surgindo agora, ele me traz o espectro e me mostra. Pintou e desenhou aproveitando as linhas de traçado do espectro, alguns cogumelos “personificados” ou seja, com olhos, boca e expressão. De uma mistura estranha de cores, havia um preto, na extrema esquerda do desenho. Logo, um cogumelo “mulher”, de cor roxa que chorava no desenho. Todos que ali estavam  (a Rose e os colegas e o meu amigo desconhecido) chamaram a atenção para este cogumelo, achando-o muito bonito. Tamém achei-o e, depois de admirar, o Marcelo pega o desenho e vai embora. A esta altura, meu referencial de espaço já é outro. Estamos todos na rua Vicente de Taunay, quase esquina com a Barão de Itapura, em frente ao Instituto Agronômico. Logo que o Marcelo vira a esquina da Barão de Itapura, surge seu irmão, do outro lado da rua. Ele desce, e está vestido de terno branco, camisa colorida, só com um dos ramos da gravata preso (o de baixo), e vem fumando, no estilo dos antigos malandros do Rio de Janeiro. Quando chega à nossa altura, conto-lhe que o Marcelo acabara de passar ali. Ele duvida, e pergunta se é verdade, e confirmo que sim. Sai correndo, jogando o cigarro, que atinge um dos amigos de Rose. Este revida e joga o cigarro no irmão de Marcelo, que vai embora].

Depois de desligar o telefone, olho e, para meu espanto, todos foram embora. Estou só. Um guarda que ali está diz-me que minhas coisas ficaram com o meu vizinho. Que vizinho? Penso eu. O Marcelo ou meu amigo desconhecido? Fico um pouco chateado por ter sido abandonado, e desço a avenida Brasil, em direção à Orozimbo Maia. Quando estou para atravessar esta, em frente ao posto, vejo, dentro de uma ambulância, um senhor de idade, de cabelo grisalho, mas de corpo muito forte e que denota vigor, desmaiado. Ouço a conversa dos que rodeiam a ambulância “em passant”, e “capto” que o homem possivelmente quebrou a perna direita e sofreu uma síncope, estando desmaiado. Desperto.

Sonho da madrugada de sexta-feira (início de 1986)

Estou na fazenda de meu avô, em cidade do interior de São Paulo*. Da bicicleta, abaixo da piscina, chego perto do barranco, onde há uma plantação de morangos. Alguns são enormes (do tamanho de melões). Ali, colhendo-os, está uma amiga minha, a Mila (que não vejo há muitos anos). Ela chega junto (ao mesmo tempo) que eu, e, como estou de bicicleta, deito-a e lanço-me a colher também. Logo, enchemos uma caixa de papelão molhado que encontrei por ali com os morangos. São muito doces e fresquíssimos (na vida real, no local, havia uma videira). Quando dou por mim já estamos a encher a 3ª caixa, quando noto que ali está estendida uma mesa de refeições com muita gente sentada. Alguns me perguntam o que fazer com tanto morango. Respondo que somos muitos em casa, e vou levá-los para minha mãe fazer uma torta. Perguntam-me quantos somos. E, após pensar um pouco, respondo:

– 12!

Quando vejo que na mesa há bem entre 30 e 40 pessoas. Entre eles se destaca um rapaz que há muito não vejo. É de tez morena, de bigode e cabelo crespos e castanhos claros, quase sarará. Sua lembrança é vívida, porém não lembro o seu nome. Perguntam-me justamente isto.

– Qual o nome deste rapaz?

– O nome eu não me lembro, respondo, mas sei que era amigo do Julinho, e é de Fortaleza, no Ceará (o que não é mal, na vida real é carioca).

Ele se espanta de minha memória. Faço força para lembrar o seu nome, mas nada. Quando Julinho aparece, ele, por baixo da mesa, vai falar com o Julio, que está do outro lado, e diz o seu nome: Zé Maria.

– Zé Maria! Respondo alto.

Afirmam com a cabeça. Ele sai de baixo da mesa e, dando a volta, vai cumprimentar o Julinho. Quando vejo suas silhuetas de longe, como que numa sombra, o Julio me aparece como um Leão, com uma juba enorme em torno da cabeça. Voltando os dois, comento:

– Mas, você tinha um apelido, não? Lembro que não o conhecia por este nome.

– Sim, meu apelido era pêlo, pois eu tinha um encravado na sola do pé que me incomodava muito, disse, fazendo um gesto que demonstrava o ato de tirar o pelo encravado no pé.

Todos na mesa riram muito.

– Lembro que você estava em Campinas por ocasião da SBPC, comentei.

– Teve SBPC em Campinas? alguém da mesa indagou.

– Sim, respondi, em 1982.

– Não foi em Botucatu? outro perguntou.

– Não foi em Campinas, respondi.

Segue-se um comentário confuso e desperto.

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*Aqui eu fiz uma alteração para preservar a minha privacidade.

Sonho sem data, mas de 1985

Sou um monge bastante velho que vive em um mosteiro do Tibet. Vivo num quarto que é todo branco e muito simples. Visto-me de branco e tudo é muito branco. A paisagem pela janela de um quarto é branca e a luminosidade é muito branca. Fico ali, estudando e escrevendo e, no parapeito da janela há um pequeno frasco com o elixir da longa vida, que não tomo. E assim passo os dias ali. Um dia resolvo “experimentar” o elixir da longa vida. Mergulho o meu dedo indicador no líquido, e, quando toco os lábios com ele, alguém tranca a porta. Sei que irei ficar ali, até o fim de meus dias. Todos os dias cumpro o ritual de molhar o dedo e levá-lo à boca, rejuvenecendo instantaneamente. Por fim, quando o líquido acaba, começo a definhar e prestes a morrer, desperto.

Sonho de tarde de domingo de 22 de dezembro de 1986

Estou na rua em frente de casa, vendo 4 (!) garotos jogando futebol. A movimentação é intensa e tenho muita vontade para jogar também. Porém sei que, para participar do jogo, tenho que arranjar outro companheiro a fim de formar um par e entrar um em cada time. Fico então ali, quieto, observando. A tarde é bela e os garotos divertem-se muito. A bola é pequena, vermelha e de plástico. O menor deles, tem um irmão maior, e sofre muito com este, que é malvado e irritadiço. Em determinado instante, um chute e a bola voa para trás de mim. Quando vou buscar a bola, reparo que na rua há um senhor bem velho, de cabelos grisalhos, com um saco de nozes à sua frente. Ele as quebra e come em silêncio, sem olhar para os lados, quadro que me dá uma sensação de tristeza e melancolia muito grande.

Chuto a bola de volta para os garotos e continuo a observar o jogo. Quando por fim o jogo termina, a bola permanece comigo e fico brincando com ela. Fico jogando-a para o alto e cabeceando-a para que ela “mexa com minha cabeça”. Quando dou um chute, ela bate no muro de uma casa, volta e cai num canteiro de Coroa de Cristo e se fura. Chateado procuro o dono da bola, o garotinho mais novo dos dois irmãos, que não chora, porém está cabisbaixo e não consigo enxergar seu rosto. Digo-lhe que no dia seguinte levarei a bola para consertar (pois é domingo). Desperto.