Estou em um teatro com bastante audiência antes do espetáculo, muitos jovens. Algumas pessoas estão cantando “Upa, neguinho”. Canto com eles. Ao final pergunto se eles sabem de quem é a música. Eles dizem que não. Eu digo:
-Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo.
Em seguida estou em outro local que parece um teatro, com mais 4 pessoas, talvez 2 homens e 2 mulheres, ou 3 homens e 1 mulher. Não me lembro ao certo. Começo a recitar parte dos versos de “Fado Tropical”, de Chico Buarque e Ruy Guerra:
“Meu coração tem um sereno jeito
e as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.
Se trago as mãos distantes do meu peito
é que há distância entre intenção e gesto.
E se o meu coração nas mãos estreito,
me assombra a súbita impressão de incesto.
Quando me encontro no calor da luta
ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.
E se a sentença se anuncia bruta
mais que depressa a mão cega executa,
pois que senão o coração perdoa”.
Desperto.