Sonho de 1 de agosto de (talvez 1985)

Estou andando na rua… quando passam dois guardas, um deles com a mão machucada e me perguntam onde há uma farmácia. “Há uma logo ali”, indico para eles.

Andando um pouco mais, encontro o Pedro (da Jane) junto com outro rapaz que eu não conheço. O Pedro me diz que quer me mostrar algo. Leva-me então a uma caminhonete grande, mas que só tem a cabine da frente; atrás, só o esqueleto. Parece um daqueles caminhões em que se encaixa a carreta atrás. É grande e vermelha-bordeaux, bonita. Digo:

– Linda, heim Pedro! É uma F-100, não?

Ele me olha pelo canto do olho e dá uma risada irônica.

– Não, não é uma F-100. É uma F-50.

Pedro começa a manobrá-la com nós 3 dentro. Estou sentado entre os dois. Pedro dirige e o rapaz está à minha direita. Vou de pé, apoiado numa corda larga que envolve toda a parte de trás da cabine. Esta é aberta atrás, mas não parece que falta algo.

Enquanto manobra, vejo uma barraca amarrada numa rede e junto com outras coisas na porta da garagem do Pedro. Pergunto:

– Não tem problema você deixar sua barraca e suas coisas ali, expostas, Pedro?

– Tem sim. Preciso guardá-las, mas por enquanto não achei um lugar em casa.

Em cima da garagem há uma saleta de varanda com vista para a rua. Há uma rede com alguém dentro que parece uma mulher grávida.

Em seguida estou num prédio, num apartamento quase sem mobília. Lá está uma moçada divertida. Chegando ali me entroso com eles, que estão de saída. Só fico com 2 deles: um rapaz e uma garota que não conheço. Na frente do apartamento está o Arco do Triunfo (estamos em Paris!). Estão reformando-o, mas virtualmente refazendo-o. A construção é moderna: são lajes bem finas que vão sendo feitas em cima da estrutura original, que vai sendo destruída de cima para baixo. Fico observando os pedreiros trabalharem. Após terminar uma laje eles fazem-na vibrar (tremer) com um vibrador, o que a entorta, mas aglutina o concreto. Daí eles dão a forma definitiva, ficando bem sólido. Dá a impressão de ser uma construção frágil.

Estamos no arco do triunfo, ao lado dos trabalhadores. Ali dá para ver que há vãos entre lajes do mesmo nível e eles trabalham pulando de uma laje à outra naquela altura! Fico abismado de ver com que destreza eles enfrentam o perigo. Eles jogam o saco de concreto que os “leva” com o impulso. Assim, passam de uma laje à outra. Comento com meu amigo sobre isso e ele diz que não há problema, pois há um patamar de madeira entre uma laje e outra. Quando olho com atenção, vejo que é verdade. Estando ali, sentamo-nos na beira de uma das lajes, que é acolchoada. É de noite e Paris está linda!

De repente escorrego um pouco na beira, e peço ajuda, desesperadamente:

– Por favor, me ajudem, I want to live a beautiful life!

Eles me puxam, dizendo:

–        Puxa, não precisa se desesperar!

Terminando de me puxar, o outro (agora é homem!) que está lendo livro, escorrega e cai (!) na laje inferior. Meu amigo faz cara de desconsolado, pois não percebe o que aconteceu. Indico-lhe o outro com o olhar, que está na laje de baixo, lendo.

Voltamos ao apartamento. Logo voltam todos e um rapaz e uma moça voltam dizendo:

– Você cheira? Imitando o ato, com o nariz.

– Sim, eu cheiro, olha. e eu os imito.

O rapaz chega perto de mim, e diz:

– Hum, cheiro de maconha.

– Não, é óleo de copaíba, retruco. Realmente eu uso o óleo de copaíba (Mas não tem cheiro de maconha…).

Uma das garotas do grupo leva-me para passear por Curitiba. Ela está com uma calça de jogging e parece ter algo debaixo que lembra o saco (escroto). Parece ter elefantíase. Ela me pergunta:

– Você conhece a Kátia, de Campinas?

Logo me lembro da Kátia, da escola onde fiz segundo grau em São Paulo. E me vem uma recordação dolorosa.

– Que Kátia, como ela é?

Ela me descreve e é idêntica à que conheci.

– Sim, conheço, mas porquê?

– Não, por nada.

– Ora, vamos, conte-me

– Não, não é nada. Só que ela é amante de meu pai. Ele vai vê-la a cada 15 dias. Ela só queria transar com ele, e conseguiu.

Fico chocado com o que ela me diz. Paro um pouco, mal acreditando no que ela me diz.

– Você sabe aonde ela mora? pergunto.

– Sei.

– Você pode me levar lá?

– Não gostaria, mas posso.

Ela então me leva. Enquanto andamos, lebro-me de minha paixão pela Kátia no tempo do segundo grau. “Como aconteceu o que aconteceu?” penso. Chegamos em uma casa, onde não há ninguém, aparentemente.

– É aí.

Entro nas dependências de área de serviço, sento em uma cadeira perto de uma porta que dá para dentro, e fico a esperar.

Desperto.

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